Para pastor, cultura festiva contribui para o aumento do proselitismo
 A última ordem de Jesus Cristo ao seu grupo de discípulos foi “pregar o evangelho à toda criatura”. Ele colocou a pregação evangelística com um dos fatores determinantes para a preparação de Seu retorno a Terra. Por causa disso, a Igreja Cristã através dos séculos tem procurado cumprir a missão de levar as boas-novas a todas as partes do mundo.
Nesse contexto, muitos têm dedicado sua vida integralmente a essa causa, como é o caso do pastor Bernt Wolter. Nascido em São Paulo, casado, pai de dois filhos, Wolter se formou em Teologia e foi professor de Bíblia no ensino fundamental e médio do Colégio Unasp. Posteriormente, liderou a Pastoral Universitária do Ensino Superior e atualmente é professor de Teologia do Unasp na área de Crescimento de Igreja. Ele serviu como pastor e missionário por seis anos em Berlim, Alemanha, onde também fez seu doutorado.
Igreja Unasp EC: O que muda de um país para outro na questão de evangelização?
Pr. Bernt Wolter: Nos países onde há muita imigração, como é o caso da América Latina, as pessoas têm a mente mais aberta, são mais desprendidos, aventureiros, empreendedores, possuem uma cultura de formação de relacionamentos e estão dispostos a mudanças e novidades. Isso facilita muito a evangelização, você não encontra tantas dificuldades. Já em países, como a Europa, onde a cultura é mais fechada e as pessoas são muito presas a tradições e individualistas, o processo evangelístico torna-se mais difícil.
Quais são as características das igrejas que mais crescem?
Creio que o Espírito Santo é a causa do crescimento da igreja, no entanto, Ele se utiliza de processos importantes, tais como, uma liderança forte, que tenha propósitos específicos e comprometida com a missão; um ministério orientado pelos dons espirituais, onde cada membro pode exercer uma atividade na igreja, tendo maior participação e motivação para o trabalho, quebrando aquele pensamento que diz que esse trabalho é só para os lideres. Deus chamou todos para a missão.
Recentemente, o Conselho Mundial de Igrejas decidiu criar um código de conduta entre as igrejas cristãs para evitar o proselitismo entre elas. O que o senhor pensa a respeito?
O diálogo inter-religioso aumentou bastante nos últimos anos, pois o foco desses diálogos é a unidade e o entendimento entre as igrejas cristãs e outras religiões. Isso, de certa forma, arrefeceu os ânimos evangelísticos e criou-se uma mentalidade anti-proselitista. Quem está por trás da criação de código é a igreja católica, que tem perdido muitos membros para os protestantes e as igrejas onde não se vê um crescimento há muitos anos. Creio que isso é profético e que seja um passo para a união das igrejas que formarão a imagem da besta, conforme vemos em Apocalipse.
O que motiva o grande crescimento pentecostal?
Na América Latina temos uma cultura muito festiva, aberta, supersticiosa e mística. Isso contribui para o crescimento acelerado do pentecostalismo, que apela justamente para esse lado místico e misterioso da religião. O emocionalismo é bastante usado com a finalidade de manipular as massas. Outro fator é a concentração nas manifestações milagrosas e os testemunhos pessoais dos membros dessas igrejas, isso atrai, não tanto pelo compromisso com Deus, mas para ver o miraculoso e fantástico acontecendo.
Quais os desafios da igreja adventista no século 21?
Hoje temos uma sociedade pluralista e multifacetada, com muitas variações e estilos, há muitos segmentos culturais na população. O grande desafio evangelístico da igreja adventista é exercer uma liderança e um formato de igreja que se adapte naquele determinado segmento e consiga impactar com o evangelho. Não podemos mãos ter um plano evangelístico do tipo “tamanho único”, mas nos abrir para essa realidade e sermos mais funcionais e variados em nossa abordagem, sem perder o conteúdo de nossa mensagem.
Como foi sua experiência na Alemanha?
Na Alemanha, essa realidade multifacetada, está mais avançada. Os lugares são mais elitizados e secularizados. Alcançar pessoas que não reagem a apelos coletivos, que tem uma cultura de poucos amigos e que o pastor é o único que vai fazer o trabalho de pregar o evangelho, é algo muito difícil de lidar. Dos 6 anos que estive em Berlim, 3 eu gastei conquistando a confiança da igreja. Exigiu muito trabalho pessoal e esforço, mas foi uma grande experiência espiritual. Tive o privilégio de fundar três igrejas novas em Berlim, uma de fala inglesa, outra de fala portuguesa e outra de hispanos, além disso, colocamos um culto diferente, mais focado para grupos de artistas, cantores, jovens e pessoas secularizadas. Ajudei também na formação de uma igreja em Munique e na criação de um Centro de Mídia que hoje fornece material para a Voz da Profecia da Alemanha.
Que mensagem o senhor deixa para a igreja?
Jesus está voltando e Ele nos deixou uma missão que temos que cumprir antes de Sua vinda: pregar o evangelho eterno. Essa, sempre será nosso objetivo. Temos muitos desafios para enfrentar, a luta não é fácil, mas Deus nos deixou o Espírito Santo para nos capacitar e nos dar sabedoria para planejarmos estratégias para alcançar as pessoas. A partir do momento que deixamos de nos envolvermos no evangelismo, perdemos nosso sentido de existência como igreja e como cristãos.
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